Sempre me encontro retraída diante de escolhas.. Mas ainda me impressiona como o novo é irresistível! Não dá pra se apegar ao que se tem, principalmente quando não se vive a plenitude da coisa... Só quando se vive a plenitude não dói escolher, porque, afinal, não se escolhe.. a própria plenitude se encarrega de excluir todo o resto.. a plenitude, em si, já sobra, já se traduz em excesso..
Porque escolher? As escolhas deveriam ser proibidas.. deveríamos poder viver tudo, sempre, a toda hora... Poder conhecer a nós, aos outros, às coisas do mundo sem restrições..
Mas, diante das escolhas o novo me instiga, me provoca e me aguça os sentidos.. como vou saber valorar se não conheço o inédito? Prefiro arriscar se o meu faro apontar que está na hora de mudar.. prefiro um arrependimento colorido do que uma realidade monocromática, em branco-e-preto...
Inesperado
Eu fujo do óbvio
mas o ordinário tende a me perseguir
ela está em tudo em que se vê, que se sabe
em que se produz e se re-produz
é sempre o óbvio, comum,
o esperado
Fugir do mesmo é procurar seu espaço
é abir o chão, o céu
em busca de um novo horizonte
viver loucuras e devaneios aos montes
é por cor em tudo que jaz monocromático
Odeio viver no automático
reprodizindo rotinas
seguindo um padrão
Prefiro apostar no novo
contar com o acaso
esperar o inesperado, sempre!
me surpreender a cada esquina
viver livre, solta, uma menina
ter consciência que só o fato de ser
já proporciona felicidade
e que nada existe depois dessa felicidade
somente a VIDA
Isabelle Martins
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
sábado, 26 de dezembro de 2009

Ela era muito jovem, jovem a ponto da viçosidade da pouca idade ainda dar sustentação aos seus pensamentos. Pensava, de maneira desconcatenada, como faria pra se encaixar naquele mundo, porque, do seu ponto de vista, achava que tudo estava fora de lugar. Era aquela sensação que arrebata os privilegiados da pouca idade, ela sabia que estava tudo errado, discordava de tudo e sabia que a mudança era necessária, todavia, não sabia como nem por onde começar. Adorava ler, e tentava, com afinco, entender o mundo, mas como a vida ainda estava toda pela frente, sempre cogitava uma revolução, afinal, não concordaria em viver no mesmo carrossel de erros.
Então, andava em calças largas em si, e não se deixava cortar para nascer de novo. Era única e forte, e sonhava com o futuro. Adorava os sons que cantavam sua luta e sempre andava junto com os seus, também subversivos ao tempo vigente.
Todavia, o tempo não perdoa jamais, e a consciência, velha armadilha do tempo, aliada a outros fatores amigos seus, como o cotidiano, a responsabilidade, a cobrança e a expectativa fizeram da garota de tranças e ideiais fortes, mais uma cidadã contribuinte.Hoje, não mais calças largas, não mais dispende seu tempo projetando mudanças globais, e, como todos os cidadãos que pretendem entrar na roda da vida, gasta seu precioso tempo fazendo projetos pessoais, trabalhando exaustivamente e preocupando-se menos com o mundo.
Deixou meio de lado seus ideais sempre coletivos por uns individuais. Reduziu seu quadro de atuação. Mudou de profissão, e hoje gasta seus dias em fóruns e tribunais defendendo o interesse daqueles que podem lhe adoçar a boca no fim da labuta. Quanto a sua aparência, essa também nem de longe lembra a menina que sonhava com a metamorfose. Segue padrões, se atualiza e não enfrenta algo que possa deslocada do carrossel de erros.
Fraquesa? Responsabilidade? Falta de crença nos ideais? Pra falar a verdade, ninguém sabe onde a coisa se perdeu. O mundo cruel se encarrega de mudar as pessoas antes que elas o mudem. Mas, se assim não for, ele te castiga, te tira da roda, te priva de tudo e te faz um zumbi, símbolo da contracultura.
Não sei, não sei... esses dias me deu saudade das calças largas e dos ideais sonhadores daquela menina.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Quem me conhece mesmo, de fato, a fundo.. sabe da minha eterna admiração por aqueles que tem a literatura, a palavra escrita por profissão ou sacerdócio... Colocar no papel sentimentos, angústia, incertezas ou alegrias é uma arte, definitivamente, talvez, a mais bela depois da música. Não dá para imaginar o mundo sem literatura, sem textos ricos para musicalizar nossa existência.. Como entender a beleza do amor, das cores, das flores, dos murmúrios... tudo isso fica mais belo quando escrito, ou melhor, quando descrito..
A escrita tem o dom de transformar um instante, uma fração de segundos, em algo eterno.. uma frase que traduz um momento indecifrável...
Viva às letras, viva àqueles que se dispõe a tal.. Ainda bem que existem pessoas com sensibilidade suficiente de entender o que estou tentando dizer..
O movimento que sua falta traz..
E é assim
como duas notas harmônicas entre si
E o amo
ele me ama
Simples como o barulho da brisa suave
Simples como o o amanhecer
São dois sentimentos em pleno ar
separados apenas por meridianos, trópicos e distância imaginária
Meus passos já não se guiam por mim
Sou levada pelo movimento que sua falta faz
E Eu, que já não queria tanto ser só de um
Já não me pertenço desde o dia
que ele resolveu me ter
Isabelle Martins
A escrita tem o dom de transformar um instante, uma fração de segundos, em algo eterno.. uma frase que traduz um momento indecifrável...
Viva às letras, viva àqueles que se dispõe a tal.. Ainda bem que existem pessoas com sensibilidade suficiente de entender o que estou tentando dizer..
O movimento que sua falta traz..
E é assim
como duas notas harmônicas entre si
E o amo
ele me ama
Simples como o barulho da brisa suave
Simples como o o amanhecer
São dois sentimentos em pleno ar
separados apenas por meridianos, trópicos e distância imaginária
Meus passos já não se guiam por mim
Sou levada pelo movimento que sua falta faz
E Eu, que já não queria tanto ser só de um
Já não me pertenço desde o dia
que ele resolveu me ter
Isabelle Martins
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
"O ruído dos meus pensamentos me acorda
é o barulho de tudo aquilo que desaba por dentro
e todo o resto é silencio
todo o resto silencia diante do redemoinho de pensamentos
E não se houve nada quando um sim seria a melhor resposta
Vezes sonhos, vezes tormendo
o que não vira verbo escrito
Morre e não se eterniza..
Morre pensamento, não se verbaliza
A poesia é elemento punjante
a palavra escrita me arrebata à força
e se traduz, se perfaz..
e finalmente reina a paz..
a mulher para qual dedico todas as minhas palavras
silencia mesmo diante do meu pranto
Só há ela projetada em tudo
em mim e numa folha de papel em branco
nada mais me chama..
Traduzir a ausência de presença em palavras
é despejar a angústia em versos
é fazer da dor, o belo verso
é fazer de mim tradutor da dor que senti"
A poesia está intimamente ligada ao pensamento do Poeta. Concordo com Fernando Pessoa que o Poeta é um fingidor, todavia, ele não conseguiria falar de amor se jamais tivesse amado..
é o barulho de tudo aquilo que desaba por dentro
e todo o resto é silencio
todo o resto silencia diante do redemoinho de pensamentos
E não se houve nada quando um sim seria a melhor resposta
Vezes sonhos, vezes tormendo
o que não vira verbo escrito
Morre e não se eterniza..
Morre pensamento, não se verbaliza
A poesia é elemento punjante
a palavra escrita me arrebata à força
e se traduz, se perfaz..
e finalmente reina a paz..
a mulher para qual dedico todas as minhas palavras
silencia mesmo diante do meu pranto
Só há ela projetada em tudo
em mim e numa folha de papel em branco
nada mais me chama..
Traduzir a ausência de presença em palavras
é despejar a angústia em versos
é fazer da dor, o belo verso
é fazer de mim tradutor da dor que senti"
A poesia está intimamente ligada ao pensamento do Poeta. Concordo com Fernando Pessoa que o Poeta é um fingidor, todavia, ele não conseguiria falar de amor se jamais tivesse amado..
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
"Saudade é amar um passado que ainda não passou,É recusar um presente que nos machuca, É não ver o futuro que nos convida..." Pablo Neruda
Talvez seja um sentimento que só nós, falantes da língua portuguesa conseguimos nomear... Essa presença de ausência dentro de de nós nada mais é do que a angústia de não ter o sentimento que nos preenchia outrora.. é a plenitude da falta, da carência...
Talvez seja um sentimento que só nós, falantes da língua portuguesa conseguimos nomear... Essa presença de ausência dentro de de nós nada mais é do que a angústia de não ter o sentimento que nos preenchia outrora.. é a plenitude da falta, da carência...
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Traduçao da Palavra Saudade..

Pra quem não gosta de melodrama, essa frase é o cúmulo.
Pra quem gosta de poesia, constata que o poeta, neste dia, estava com máxima capacidade de canalizar sentimentos em palavras.
"Quando não me ligas e o teu paradeiro é extraviado para parte incerta, eu enlouqueço um pouco.. É nesses dias que o deserto do Sahara se torna ameno e temperado, um local ideal, afável e aprazível para se viver... , comparado com o descontrole meteorológico que se apodera da minha alma." (Inês F.)
O que a poeta quis dizer? Quando somes, tenho saudade. Mas não é muito mais bonito e intenso quando escrito com arte?? Não parece que é algo muito maior e mais importante? Não sei. Talvez a beleza não resida na simples saudade, mas na proporção que ela tomou pro autor. A saudade dele dói mais, incomoda mais.. Talvez porque o amor dele seja maior, ou porque simplesmente ele é mais suscetível ao efeito dos sentimentos.
O que sobra no nosso cotidiano é pragmatismo, e o que falta é essa pequenina dose de entrega, de sentimentalismo... A saudade dói em todo mundo, claro! Mas nos é ensinado a deixar isso de lado, focar em outras coisas, esquecer um pouco de cuidar do outro e cair no individualismo.
É por isso que eu amo o artista, amo a falta de conceito e sonho em viver a vida sempre assim: fazendo minhas tempestades em meus copos d'água.
Pra quem gosta de poesia, constata que o poeta, neste dia, estava com máxima capacidade de canalizar sentimentos em palavras.
"Quando não me ligas e o teu paradeiro é extraviado para parte incerta, eu enlouqueço um pouco.. É nesses dias que o deserto do Sahara se torna ameno e temperado, um local ideal, afável e aprazível para se viver... , comparado com o descontrole meteorológico que se apodera da minha alma." (Inês F.)
O que a poeta quis dizer? Quando somes, tenho saudade. Mas não é muito mais bonito e intenso quando escrito com arte?? Não parece que é algo muito maior e mais importante? Não sei. Talvez a beleza não resida na simples saudade, mas na proporção que ela tomou pro autor. A saudade dele dói mais, incomoda mais.. Talvez porque o amor dele seja maior, ou porque simplesmente ele é mais suscetível ao efeito dos sentimentos.
O que sobra no nosso cotidiano é pragmatismo, e o que falta é essa pequenina dose de entrega, de sentimentalismo... A saudade dói em todo mundo, claro! Mas nos é ensinado a deixar isso de lado, focar em outras coisas, esquecer um pouco de cuidar do outro e cair no individualismo.
É por isso que eu amo o artista, amo a falta de conceito e sonho em viver a vida sempre assim: fazendo minhas tempestades em meus copos d'água.
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